A defesa dos direitos não é uma batalha: sistemas nervosos, ética e a responsabilidade da doula.

O ativismo pelo direitos da pessoa em trabalho de parto tornou-se uma palavra poderosa – e frequentemente mal utilizada – no ambiente do parto, especialmente hospitalar.

Com muita frequência, especialmente entre doulas, o "advogar" é confundido com confronto: batalhar contra equipes médicas, posicionar-nos como protetores contra o sistema ou inserir nossas próprias agendas sob o pretexto (as vezes não consciente) de "lutar pelo cliente".

Isto não é ativismo.
E isso tem um preço.

Sim, a maioria dos partos acontece dentro de um sistema. E sistemas tendem a ser apressados, hierárquicos e imperfeitos. Mas quando a defesa dos direitos da parturiente se transforma em tensão, conflito ou resistência performática (e, acreditem, acontece!), a pessoa mais afetada é o sistema nervoso da parturiente .

Um ambiente desorganizado, com informações e propostas contraditorias, não empodera. Ele desestabiliza.

A verdadeira defesa de direitos se fundamenta na regulamentação, na clareza e no consenso – não na oposição (ou no ego).

A defesa de direitos é :

  • Apoiar o consentimento informado por meio de perguntas claras e objetivas.
  • Ajudar a desacelerar momentos que parecem urgentes (quando realmente não forem!).
  • Traduzir informações para que o cliente possa decidir com base na compreensão, e não no medo.
  • Manter a segurança emocional quando a vulnerabilidade é alta

A defesa de direitos não é:

  • Falar no lugar do cliente
  • Criar dinâmicas conflituosas com equipes médicas
  • Partir do pressuposto de que sabemos mais do que a pessoa que está dando à luz.
  • Confundir nossas próprias políticas de parto com as necessidades da cliente naquele momento.

É importante lembrar: o estresse impacta diretamente a fisiologia do trabalho de parto . Quando uma doula (ou outro profissional ou pessoa) traz ansiedade, hostilidade ou tensão para o ambiente - mesmo com boas intenções -, essa energia é sentida. Isso pode minar a confiança, a segurança e a credibilidade.

Nosso papel não é o de defender a todo custo.
É o de sustentar uma defesa ética - e isso exige maturidade.

Maturidade para pausar, nos regular e escolher presença em vez de reação. Porque só quando estamos regulados podemos apoiar com integridade.

A defesa mais poderosa muitas vezes se manifesta de forma silenciosa:

  • Uma pergunta oportuna
  • Uma pausa firme
  • Um lembrete das opções
  • Uma presença constante que transmite segurança.

A defesa de uma causa não se trata de vencer um sistema. Trata-se de proteger a autonomia do cliente dentro desse contexto.

E essa responsabilidade começa com cada um de nós.

Reflita sobre seu próprio estilo de defesa. Sua presença reduz o estresse ou o aumenta? A regulamentação não está separada da ética; ela faz parte delas.

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